sexta-feira, 21 de junho de 2013

O que eu vi nos protestos


                                                                                                                                 Dedico este texto a
meu  grande amigo Henrique Chaves.

Caro leitor, sei que ando em dívida com tua ilustre persona e que há muito tempo não escrevo neste pequeno blogue, sei também que o assunto que irei tratar neste momento não é um assunto costumeiro em meus textos e foge à proposta da página, porém há em mim uma imensa vontade de falar ao mundo o que eu vivi durante essa semana.
A minha "quase-obrigação" de falar sobre tal assunto surge a partir de algumas coisas que tenho ouvido, visto e lido, dessa forma vejo que tentar iluminar a cabeça de meus poucos leitores faz parte do meu papel de cidadão.
Acredito em grandes mudanças? Não, não acredito em transformações significativas. Por quê? Porque vejo que quem protesta não é a massa da população, na verdade o "gigante" não acordou, quem protesta são, em sua maioria, estudantes da classe média. A classe proletária, e real interessada numa mudança substancial no país, não entende o protesto, uma vez que ela não foi educada para pensar de maneira crítica, ela não consegue enxergar como as ações do governo podem interferir em sua vida e dessa forma não compreende um protesto realizado, a princípio, "por causa de vinte centavos". "Só" por isso?! Não, há também muitas falas mal informadas sobre o protesto, falas essas pronunciadas por pessoas consideradas intelectuais e muito bem esclarecidas, o que contribui para a descrença no movimento e para a desinformação das massas. Por isso, embasado no que eu vi nas ruas de Juiz de Fora, quero esclarecer: não, o movimento não é baderna; sim, a maioria que vai às ruas sabe sim o que está protestando; não, não é festa, se há diversos motes sendo cantados ao mesmo tempo é sinal de que a multidão está grande e que tentar entoar um mesmo mote em toda a extensão do protesto não se faz possível; sim, o movimento conta com uma pauta, apesar de ser uma pauta muito ampla, onde vários tópicos são incluídos, não significa que os manifestantes não têm diretrizes para sua reivindicação e a ausência de uma liderança não significa que há falta de organização; não, não somos anarquistas, o fato de querermos um protesto sem partido é justamente para garantir uma participação plural de manifestantes, onde toda concepção política é bem vinda, o objetivo do movimento não é ser vinculado à ideologias de esquerda ou de direita; sim, há quem espere por um impeachmennt, porém não chega a ser a maioria dos reivindicantes, uma vez que a insatisfação não é em relação à administração de nossa atual presidenta, mas sim com todo o sistema político brasileiro, onde seus principais partidos (PT, PMDB e PSDB) não possuem mais diferenças entre si e que há também uma inexistência de ideologias entre os pequenos partidos, sendo o principal objetivo desses o enriquecimento ilícito.
Há protestantes violentos? Há, mas creio que esses não deveriam ser o foco das discussões como a maioria dos veículos de comunicação tem colocado. Primeiro porque tais tipos de manifestantes não é exclusividade do Brasil e ouso a dizer que não há reivindicações populares (em nível nacional) completamente isentas de violência e segundo porque noto que as mídias têm focado em demasia em tais cidadãos,  uma vez que os protestos realizados sem ocorrências não chegam sequer a serem citados, falo isso porque participei de um manifesto cem por cento pacífico, que contou com 15 mil pessoas em uma cidade de grande importância econômica e histórica para o país e no entanto o Brasil nem teve conhecimento de sua existência.
Apesar de eu não realizar nenhum tipo de manifestação violenta, eu acredito que os ditos "baderneiros" têm seu valor em um protesto, pois a multidão deve ser uma caixinha de surpresas para o político, ele deve temê-la e se sentir ameaçado por ela, somente assim ele apresentará mudanças de comportamento, se formos analisar as grandes revoltas que ocorreram no mundo, veremos que somente Gandhi conseguiu realizar uma revolução sem que o POVO se comportasse de maneira hostil ou violenta.
Outra coisa que me incomoda é a transferência de responsabilidade social, por parte dos manifestantes, para a Rede Globo de Telecomunicações, uma vez que, tal empresa foi criada muito depois de o Brasil e seus problemas sociais terem surgido. Não digo que ela seja isenta de responsabilidade, sei que ela é oportunista, e presta muita atenção no que eu acabo de escrever, ela é OPORTUNISTA, ou seja, aproveita-se da OPORTUNIDADE, se aproveita da situação, o que quero dizer com isso é que a CULPA de termos um povo alienado não é dela, e nem de nenhuma outra empresa de telecomunicação do país, ela, assim como as outras, se aproveita de um povo alienado, a falta de discernimento da massa popular é responsabilidade, ou melhor irresponsabilidade, do Governo Brasileiro, quem não investiu em educação foi ele, logo, a Globo não tem nada a ver com a falta de pensamento crítico no país, e digo mais, ela não tem obrigação de fazer do povo, um povo mais culto, e ouso a dizer que se ela o tentasse, ela faliria, pois ele não ia entender o que ela estaria transmitindo. Nesse sentido te lanço um desafio, pergunta aos integrantes da massa popular que tu conheces o que ele assiste no horário do programa Fantástico no Domingo, te dou a certeza, que a maioria responderá que assiste ao Silvio Santos ou ao Pânico na Band, não que eu ache o Fantástico um exemplo de jornalismo imparcial e completo, mas acredito que é um dos melhores programas oferecidos pela Rede Globo.
Falei isso tudo pra ti, leitor, porque quero que tu, caso não tenhas aderido ainda, adiras ao protesto e caso já tenhas aderido, quero que vás para o movimento com o pensamento mais centrado e mais confiante no que estás a fazer e que esclareça as pessoas menos informadas sobre o movimento, que tu tentes levá-las contigo no próximo movimento, a adesão delas é de suma importância para a mudança, assim como um manifestante violento causa receio nos políticos, a adesão pacífica de um cidadão pouco esclarecido ao movimento também causa grande medo e instabilidade para esses políticos, uma vez que sua permanência na política é ameaçada.
No mais, desejo-te boa noite!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

"Proibido proibir"

É um filme político. Sem dúvida conseguimos perceber em seu desenvolvimento alguns "discursos" políticos, é interessante que o filme assume suas "bandeiras" sem se tornar chato, cansativo ou coercivo.
O longa tem um roteiro bacana, consegue passar sua mensagem e a nível de cinema brasileiro é bem produzido, porém, a atuação me incomoda, principalmente das personagens secundárias; quanto ao núcleo principal Leon, por exemplo, parece "entrar" em Alexandre Rodrigues apenas do meio para o fim do filme e a aparência de Caio Blat, talvez por causa de "O ano em que meus pais saíram de férias" filmado no mesmo ano (2006), por diversas vezes me confundiu quanto ao que sua personagem representava para a trama, já que ao meu ver, ela não se encaixava ao esteriótipo "barbudinho" que remete a Chê Guevara.
O enredo acontece quase que de forma paralela entre as histórias de Paulo (Caio Blat) e Leon (Alexandre Rodrigues), que acabam se encontrando no triângulo amoroso que se forma. Paulo, mesmo fugindo das ideologias universitárias e da participação civil, acaba se envolvendo em uma causa social, diferentemente do que acontece com Leon, jovem envolvido em um projeto comunitário e adepto de ideologias políticas juvenis. Letícia (Maria Flor), um esteriótipo de uma aluna de arquitetura: "rica e bem intencionada", acaba se tornando o elo entre os dois amigos.
O triângulo amoroso parece perder o sentido de existência por diversas vezes, já que ele se torna um pouco obscurecido pelo drama social que os protagonistas começam a viver.
É interessante como que o título da obra é por diversas vezes explicado por ela mesma, a alusão à música de Caetano foi para mim, a maior "sacada" do longa, uma vez que no clímax do enredo percebemos que as personagens se vêem de mãos atadas, denunciando, assim, a existência da censura na vida de muitos brasileiros, uma censura tão perversa e maligna quanto a vivida noutros tempos no Brasil.
No final, ME parece que o título se estende ao relacionamento das três personagens principais, como se o filme levantasse uma bandeira de "liberdade sexual", já que, AO MEU VER, a história poderia se desenvolver sem que houvesse um laço de amor entre os três e também porque a atmosfera de afeto criada  na cena de encerramento ME desperta tal ideia.


sábado, 30 de março de 2013

Quiénes son ellos? Quiénes son nosotros?

Quiénes son nuestros vecinos? Lo qué leen? Lo qué oyen? Quiénes son ellos? Hablan español? Portugués? Quiénes son nosotros? Brasileños?
A falta de conhecimento da cultura latina é uma constante na sociedade brasileira, conhecemos pouco nossos vizinhos, é histórico, sempre travamos raros contatos com nossos vizinhos hispânicos, mas haverá quem questionará: "Mas não somos latinos?!", sim, somos latinos, porém não somos hispânicos, somos considerados sui generis, ou seja, nosso modelo cultural é próprio, se aproxima pouco do que é vivido pela América espanhola e se distancia mais ainda de nossos irmãos portugueses de além-mar.
Por razões políticas e econômicas, o Brasil sempre relacionou-se mais com os europeus do que com os americanos, dessa forma, não foi criado um laço cultural em que o Brasil abarcasse a cultura latina ou vice e versa.
Por que estou falando isso? Porque descobri Kevin Johansen, nosso vizinho, argentino, filho de mãe argentina e de pai estadunidense, e artista de trabalho encantador, aí me perguntei: "Aonde eu estava que nunca tinha ouvido esse cara?", a resposta veio depressa, no Brasil, é claro, onde até a própria cultura é um mistério.
Johansen é dono de uma discografia de respeito, com discos lançados desde 2000. Apesar de ter sido criado nos EUA, o músico consegue ser naturalmente hispânico, nada forçado ou animado demais como Carlos Santana e Sérgio Mendes, que vendem a cultura de maneira chã para agradar os gordinhos do norte, Kevin é diferente, suas músicas conseguem ser ao mesmo tempo universais e regionais.
Em 2012 Kevin lançou o álbum "Bi", trabalho o qual não tive oportunidade de ouvir por inteiro, há algumas músicas disponíveis na Rádio Uol e para quem tem itunes consegue baixá-lo por inteiro pelo aplicativo.
O disco também traz algumas influências brasileiras como nas faixas "Subtropicalia" e "Apocalypso", a última com participação de Daniela Mercury. 
Em entrevista para a revista "Bravo!" o argentino revela também ter tido pouco contato com a cultura brasileña, no entanto, o que conhece do Brasil o fascina e o faz querer conhecer mais de perto o país.
Em 2010 Johansen gravou com Paulinho Moska a música "Waiting fot the sun to shine", do álbum "Muito Pouco" de Moska, e revelou ter em mente um projeto com o músico brasileiro, algo que mexeria com a música não de forma unilateral, mas de uma maneira que valorizasse a integração cultural entre os vizinhos, algo subtropicalista, como os músicos denominam a influência dos ideais de Gil e Caetano no projeto.
Que venham este e outros projetos parecidos! Já está mais do que na hora de construirmos uma ponte da amizade entre Brasil e Argentina! Brasileiros e Argentinos do mundo, uni-vos!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Viva Tom! (Projeto Nivea Viva Tom)

Após o sucesso das turnês de Maria Rita ("Redescobrir") e Mariene de Castro ("Um ser de luz"), a empresa de cosméticos "Nivea" lançará esse ano a turnê "Viva Tom".
A nova turnê contará com a elegância e simpatia de Vanessa da Mata interpretando as músicas de Tom Jobim, ela passará por seis capitais brasileiras (Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), sendo apresentação única em cada uma delas e com entrada FRANCA!! Isso mesmo! Você assistirá Vanessa da Mata cantando Tom Jobim e só gastará a passagem de ônibus, metrô ou litro de gasolina! A agenda ainda não foi lançada, assim que o for, aviso aqui.
Gosto desse tipo de iniciativa, os cantores da nova MPB precisam de mais apoio, já que a produção de um álbum não é barata. Vivemos um momento próspero da música, São Paulo e Belém nunca foram tão próximas e ativas, não podemos deixar que o censo comum idiota nos convença de que a MPB morreu junto com os anos sessenta, como diria Adoniran Barbosa, ainda temos muita brasa a espera de um assopro.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Welcome to World, Bossa Nova! (Cinquenta anos de "Getz/Gilberto")

Stan Getz, Tom Jobim e João Gilberto.

Era Março de 1963 e João Gilberto, Tom Jobim e Milton Banana ainda permaneciam no frio de Nova Iorque, mesmo com  a saudade do Rio, a vontade de comer feijão e com o "fracasso" do concerto ocorrido cinco meses antes no Carnegie Hall. Eles ainda esperavam seus cachês e alguma novidade da terra do Tio Sam.
A apresentação de Bossa Nova em Novembro do ano anterior tinha contado com inúmeros problemas técnicos e também com a graciosidade do ritmo criado pelo mineiro João Gilberto e tocado com maestria por seus colegas - Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Milton Banana, Sérgio Mendes, entre outros - que fizeram a música sobressair-se e despertar o interesse de muitas personalidades do Jazz.
Desde o bem sucedido lançamento do LP "Jazz Samba" (1962), que de samba só tem o nome, de Stan Getz e Charlie Byrd, Creed Taylor, o produtor, procurava outro sucesso daqueles no mundo do Jazz, motivo pelo qual resolveu procurar por aqueles brasileiros do concerto desafinado.
Devidamente apresentados por intermédio de David Zingg (fotógrafo autor da foto deste post), Jobim e Taylor assinaram um contrato em Janeiro de 1963, o qual previa a produção de um álbum com o saxofonista Stan Getz e com violonista João Gilberto em Março do mesmo ano pela gravadora Verve Records.
Nascia aí o álbum "Getz/Gilberto", que contava com Tom Jobim (no piano e arranjo), Milton Banana (bateria), Tião Neto (contrabaixo) e Astrud Gilberto (vocalista, talvez por acaso). O período de gravação foi curto, apenas dois dias (18 e 19 de Março), no entanto, as dissonâncias entre Getz e Gilberto eram enormes, tamanho GG mesmo!
Discordavam em tudo, Gilberto resmungava com Tom: "Fala para esse gringo que ele é um burro!", o resmungo surgia por causa da força com a qual Getz tocava seu sax, que fugia da leveza da Bossa Nova.  A banda gravava simultaneamente, tornando a insatisfação do brasileiro em um verdadeiro estorvo, já que qualquer erro exigia-se o recomeço. Com muito trabalho Getz "concordou" com João Gilberto e passou a executar o sax de maneira mais suave, o que o não impediu de aproveitar a ausência dos brasileiros na mixagem do disco e aumentar o volume de seu instrumento.
Gravação feita, Creed Taylor, mal sabia que estava redondamente enganado, decidiu não lançar o disco, já que não enxergava em seu horizonte um grande alcance comercial. O grupo se dispersou e durante um ano o LP era ouvido apenas pelo produtor da Verve Records, que foi se simpatizando com as faixas cantadas por Astrud Gilberto.
Em Fevereiro de 1964, Taylor, resolveu desengavetar o disco e lançar em uma rádio de Ohio o single de "The Girl from Ipanema", com a interpretação de Astrud e sem o dueto feito por ela e seu (então) marido João Gilberto na versão original.
Para surpresa de todos, "The Girl from Ipanema" estourou nas rádios dos EUA, permanecendo em quinto lugar na lista da Billboard durante onze semanas e levando o disco à segunda colocação da mesma por noventa e seis semanas! Garantindo ainda, vários Grammy's para João Gilberto, Tom Jobim, Astrud Gilberto e Stan Getz .
E foi assim, de repente, conturbadamente, que o mundo conheceu a Bossa Nova!

Capa do disco.

sexta-feira, 22 de março de 2013

"The movie was false. The mission was real." The history is true? (Argo)

Assisti ao filme "Argo" (2012), direção de Ben Affleck e roteiro de Chris Terrio, ontem, por isso ando atrasado na discussão sobre a sua intencionalidade política e acerca de sua premiação como melhor filme por Hollywood.
Esperava mais, pois um Oscar de melhor filme, mesmo com todas as críticas direcionadas ao prêmio, ainda é um OSCAR DE MELHOR FILME, por isso fiquei apenas na expectativa. 
O fato de ele não ser um filme de espionagem convencional, daqueles estilo "Missão Impossível", não o credencia, ao meu ver, a ser o ganhador de tal honraria e digo isso por dois fortes motivos: a previsibilidade do roteiro em muitos momentos e o velho conhecido american way of life, que se faz muito presente em alguns instantes do longa.
É verdade que o filme tem algumas boas características que devem ser levadas em conta, como por exemplo a quase eterna tensão que sentimos (e aí os parabenizo por ser um filme baseado em fatos reais e  de já conhecermos o seu desfecho), a excelente maquiagem dos atores (que ficaram realmente muito parecidos com as personagens "vivas" da história),o filtro usado na película, que nos parece levar ao momento exato do acontecimento ou a falta de legenda nas falas dos iranianos em momentos "críticos" da trama que se mostra muito eficiente em seu objetivo de provocar apreensão no espectador, no entanto, o longa peca em cenas super clichês como a do aperto de mão entre Tony Mendez (Ben Affleck) e Joe Stanfford  (Scoot McNairy) no avião ou a perseguição dos "fujões" pelos iranianos no aeroporto.
Incomoda também a figura de bom moço dos EUA, que sempre me deixa com aquela sensação de a todo instante estar sendo enganado, sensação que se intensifica por saber que a produção recebeu o Oscar de melhor filme pelas mãos da Primeira-dama estadunidense e também por ter conhecimento da declaração feita  pelo governo iraniano sobre o longa, que declarou tê-lo visto com maus olhos e o interpretou como uma afronta à verdadeira história.
Fatos que me deixa muito inseguro em relação a imparcialidade política do filme e quanto a verossimilhança da representação cinematográfica. O ministro da cultura e orientação islâmica Mohammad Hosseini pronunciou  à mídia internacional que os EUA teriam usado o filme contra a sua nação e prometeu a produção de um longa capaz de revelar-nos a "verdadeira" história e com a mesma capacidade comercial da montagem estadunidense. O que me deixa de certa forma muito curioso, uma vez que gosto de sempre estar a par dos dois lados da moeda... 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Curta! "Recife frio"

"Recife frio" (2009) premiado curta dirigido por Kleber Mendonça Filho, o mesmo diretor do longa "O som ao redor" (2013), te surpreende com sua história original, seu british humour e sua excelente produção.
Kleber é muito aclamado pela crítica em relação aos seus roteiros que buscam retratar Pernambuco, em entrevista para a revista "Bravo!" o diretor revelou que um de seus objetivos é colocar o Recife no mapa cinematográfico do país, região em que tal atividade vive um momento de grandes descobertas nem sempre valorizadas pelo cenário nacional.
Certamente "Recife frio" se enquadra no objetivo do diretor (e roteirista) em apresentar a capital pernambucana para o mundo, sendo a narração em espanhol muito pertinente para tal objetivo. O seu roteiro capcioso, onde a crítica surge em palavras "jogadas a esmo" muito bem harmonizadas à atmosfera documental, consegue criar uma comédia de humor rebuscado e inteligente.
Vale a pena reservar vinte e cinco minutos de seu dia para o curta.
Desejo a vocês uma excelente sessão! =)

Abaixo segue o curta completo, antes de o curta começar passa um teaser do longa "O som ao redor":







quarta-feira, 20 de março de 2013

Homenagem fúnebre: vá em paz, Emílio!

Hoje faleceu um dos maiores expoentes ainda vivos da Música Popular Brasileira, Emílio Santiago tinha 66 anos e foi a óbito nessa madrugada após sofrer um ataque cardíaco.
Em sua despedida posto uma participação realizada por ele em um DVD de Jorge Aragão, a qual gosto muito!
Vá com Deus, Emílio!


Filmes discutidos.



Não sou um órfão da ditadura, daqueles que sentem falta de uma repressão pra poderem se rebelar ou de uma MPB mais questionadora, apenas senti vontade de analisar três filmes com uma temática em comum, e dessa forma, pensei nos filmes "O que é isso, companheiro?", dirigido por Bruno Barreto de 1997, "Zuzu Angel", Sérgio Rezende de 2006, e "O ano em que meus pais saíram de férias", Cao Hamburger de 2006.
Em termos fotográficos "Zuzu Angel" deixa a desejar, a filmagem não parece ser de cinema, mas sim de televisão, com o agravante de haverem efeitos gráficos rudimentares que somado à narrativa, por vezes desnecessária, faz o filme parecer amador, diferente do ocorre em "O ano em que meus pais saíram de férias", em que a narrativa e a construção imagética fazem o filme ser muito rico. 
"O ano em que meus pais saíram de férias" chama atenção para suas “metáforas” criadas por meio da associação textual e visual, que corroboram com a representação da sociedade da época, como por exemplo a  torcida dos jovens comunistas pela Tchecoslováquia no primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo de 1970, mostrando o conflito ideológico que atingia a todos em uma sociedade onde "tudo" era "luta política".
O desenvolvimento de "Zuzu Angel" também deixa a desejar, pois as personagens centrais da história (Zuzu e Stuart) são heroicizadas em demasia, induzindo o interlocutor a uma concepção política, dessemelhante ao "O que é isso, companheiro?", onde o roteiro expõe ao espectador a ideologia dos dois lados conflitantes da época, abrindo espaço, dessa maneira, para que o interlocutor forme sua opinião de acordo com sua concepção política.
Enquanto “Zuzu Angel” cai em discursos embasados no senso comum, "O que é isso, companheiro?" apresenta diálogos mais corajosos, nos quais vários tabus são colocados em dúvida, como por exemplo, a intencionalidade da guerrilha ou a “lucratividade” da tortura, quem saí beneficiado torturador ou torturado?
O filme também questiona a validade dos movimentos adversos ao Regime Militar, questionamento que também aparece nos outros dois longas, uma vez que tais movimentos não tinham apelo popular e que o governo conseguiu se consolidar de forma coesa. Na produção de Sérgio Rezende, a protagonista a caminho da delegacia indaga sua filha: “E agora? Onde está o povo por quem ele luta?”, se referindo ao discurso ideológico bradado por Stuart, seu filho, questionamento esse válido e estudado por Elio Gaspari em “A Ditadura envergonhada”, onde, segundo o autor, a ditadura terminaria, ou terminou, apenas quando os militares achassem, ou achou, necessário; os movimentos anti-ditadura eram fracos e raros, permitindo ao governo o controle total da situação.
Em matéria de documentação histórica recomendo os três filmes, pois acrescentam muito ao nosso conhecimento, expandem nossos horizontes diante do que aprendemos sobre a Ditadura Militar do Brasil. No entanto, em termos cinematográficos aconselho as produções de Bruno Barreto e Cao Hamburger, obras mais completas e bem dirigidas.
Desejo a vocês uma ótima sessão! =)

domingo, 17 de março de 2013

Big Jato

"Vai, Carlos! ser gauche na vida." 
Carlos Drummond de Andrade

Não desista cedo deste livro, é a primeira coisa que eu tenho a obrigação moral de dizer-lhes, falo isso porque tal ideia passou por minha cabeça quando cheguei ao capítulo quatro e me deparei com um narrador estranho.
"Big Jato" é uma novela baseada na infância de Xico Sá, autor do livro. Apesar de ser uma narração descontraída, ela pode reservar surpresas capazes de confundir a cabeça do leitor, uma vez que há alteração do narrador em alguns capítulos. 
Tal mudança expõe ao interlocutor como se configura a antagônica relação familiar entre seu pai e seu tio, o que gera um conflito pessoal no narrador, menino que se identifica com as duas personagens. De um lado está seu pai, figura do homem provedor, viril e batalhador, de outro encontra-se o seu tio, personagem "poeta", "fresco", vadio e que lhe apresenta um mundo diferente ao qual ele vive dentro da boleia do Big Jato.
Xico Sá consegue nos descrever de maneira lírica, e por muitas vezes engraçada, a descoberta de um mundo por um garoto, é interessantíssimo como que o mundo em transformação acontece em torno do menino, como que a vida dele se altera ou como ele se enxerga nesse mundo. O menino, por vezes, parece não pertencer àquela realidade interiorana e sertaneja onde a coisa mais moderna com a qual eles têm contato é a banda "The Beatles".
O ofício de seu pai marca sua memória, a negação de seus familiares o decepciona, o convívio com pessoas de fora que também desprezam aquele trabalho o torna agressivo e mais parecido com seu pai.
A descoberta do amor e a chegada da adolescência transtorna sua cabeça, o que desencadeia em sua saída de casa, que representa um alívio para sua mãe e revela-nos quem o protagonista se tornará, é um momento de esclarecimentos, principalmente do conflito "pai x tio".

quarta-feira, 13 de março de 2013

Ópera do malandro

"Em letreiro de teatro dele, fodido é estrelo e estrelo vai se foder."
"Ópera do Malandro" é uma peça de Chico Buarque de Holanda que se passa durante o final da Era Vargas. As críticas colocadas no texto, no entanto, são destinadas ao tempo atual (1978), uma vez que o país vivia em uma ditadura e críticas como essas não podiam surgir de forma aberta, logo, o "tempo" deve ser visto apenas como cenário.
Percebe-se uma clara intencionalidade política de Chico Buarque, a peça tem traços claríssimos da ideologia de esquerda, na qual o autor era (é) adepto, sendo assim, não podemos enxergar João Alegre como um malandro comum, daqueles que vadiam nos bares e lesam as pessoas. Ele é malandro no sentido de ser esperto e safo, João Alegre assemelha-se ideologicamente, falando de maneira chã, a Robin Hood, configura-se em sua personagem a voz do povo, ele expõe ao público tudo aquilo que estaria "engasgado" na garganta da massa brasileira, de tal maneira, o malandro traz à tona a hipocrisia e a corrupção da sociedade brasileira da época.
A distribuição das músicas ao longo da peça é feita de maneira muito inteligente, as que são colocadas como prólogo não devem ser subestimadas, todas as duas adiantam o que virá pela  frente, a que funciona como  "epílogo do epílogo" também não deve ser lida (ou ouvida) de maneira relapsa.
Ao ler (ou assistir) note que aparecem no correr na peça vários tipos de malandro, essa observação influenciará em seu entendimento final da peça e da música "Malandro nº2", que serve de "epílogo do epílogo" no texto.
A leitura do livro é muito fluída e divertida, uma vez que é um roteiro de teatro e por ser um texto muito bem humorado. Desejo a vocês uma ótima leitura ou um ótimo espetáculo!

domingo, 10 de março de 2013

Leitura comentada: Jubiabá

"Capitães da areia" me encucou, "A morte e a morte de Quincas Berro D'água" me divertiu e "Jubiabá" me impressionou.
É certo que meu primeiro contato com a obra Amadiana fora muito influenciado por uma opinião mais experiente, a impressão que fiquei não foi boa, e tive alguns desencontros "ideológicos" com Jorge Amado, no entanto, acredito que hoje eu leria "Capitães da areia" com outros olhos, permaneceriam algumas discordâncias, mas minha opinião sobre o livro seria outra.
Ao ler "Jubiabá" me encantei com o terreiro e senti vontade de fazer parte daquela história. Antônio Balduíno (Baldo) me traz muito mais simpatia do que Pedro Bala, e dessa forma, a ideologia comunista chega até a mim de forma mais suave, tão suave que nem mesmo o protagonista se dá conta de ser adepto a tal pensamento, Baldo é "inocente", sustenta argumentos sem embasamentos teóricos, sem Marx ou Engels, Baldo apenas deseja não ser escravo, sua ideologia chama-se liberdade.
Em busca de sua libertação o protagonista de "Jubiabá" traz ao leitor a formação de um povo, as influências culturais africanas, as relações sociais brasileiras, principalmente no tocante às questões étnicas, e o sofrimento de um povo que está cansado, que luta somente por respeito e dignidade; o terreiro, a malandragem e o proletariado emergem de seu isolamento social e clamam por sua alforria.
Baldo revela-se o mensageiro que leva a Jubiabá as soluções para as dores do mundo, é ele quem conta ao pai de santo, e ao leitor, toda a hipocrisia, rejeição e negligência sofrida pelo pobre, é ele quem descobre o significado da luta.

Mais um recomeço.

Mais um recomeço, porém, um recomeço diferente, um recomeço com confiança, vontade e plena certeza de que agora em diante posso levar, o que até então era hobby, como uma (semi)obrigação, o que antes era tratado com amadorismo agora terá um viés mais profissional.
A verdade é que agora me formei no Ensino Médio e me encaminho para a faculdade, fui aprovado no vestibular e durante esse ano cursarei o curso de Jornalismo na UERJ. Dessa forma, quero voltar à ativa e fazer de meu blogue um laboratório, quero ganhar confiança em minha escrita e quero forçar-me a ler, assistir, ouvir e ver coisas diversas, ou seja, quero ampliar meu conhecimento e minha intimidade com a arte.
Reinicio, então, mais uma vez o blogue, desejo a mim boa sorte e a vocês uma boa leitura!