sábado, 26 de fevereiro de 2011

Depois da Tempestade, vem a Bonança.

Chovia, e a água misturava-se ao suor e às minhas lágrimas, eu corria, estava muito aturdido, não sabia o que fazer, minha cabeça girava.
Ao longe via minha casa, que não parava de cair, parecia não acabar, mas à sua frente, intocável estava negra Jura, que estranhamente era me familiar, nunca a vira na vida, só naquela ocasião. Ela acenava e me chamava, mas o medo crescia sobre mim e agora a chuva parecia ferir-me, corria a esmo, não sabia aonde estava nem aonde ia. Do bosque vinha uma voz que me amedrontava, eu tentava fugir, mas o bosque me engolia, eu olhava para trás e minha casa continuava a cair.
Negra Jura desta vez conversava com um menino, que lembrava-me quando criança, ela falava e ele aquiescia, de repente ele começou a correr, parecia procurar alguém, em sua mão havia algo pequeno, uma pílula, ele a olhava com curiosidade, ele se aproximava, mas algo dizia-me para que eu não o deixasse aproximar de mim, porém a curiosidade era grande, eu queria ver o que ele trazia.
Logo, ele encontrou-me, baixou a cabeça e deixou que o pequeno remédio caísse, assim, saiu correndo sem encarar-me. Eu agachei para analisar o pequeno comprimido, eu o conhecia, a voz crescente do bosque falava-me para tomá-lo, minha consciência ia contra, algo me dizia que aquilo em algum tempo fez-me mal.
Tomei, agora estou deitado, e uma cobra subia em meu corpo, que aliás sentia-o frio, minha visão escurecia e a lua brilhava, brilhava muito, a chuva cada vez mais fria matava-me aos poucos.
Ao longe ouvia minha casa desabar e como a um espírito, negra Jura se instalava a minha frente e levava-me para casa, que agora apresentava um aspecto diferente, enquanto desmoronava por fora, dentro existia uma luz celestial, que me acalmava e que tirava-me a vida.