domingo, 17 de março de 2013

Big Jato

"Vai, Carlos! ser gauche na vida." 
Carlos Drummond de Andrade

Não desista cedo deste livro, é a primeira coisa que eu tenho a obrigação moral de dizer-lhes, falo isso porque tal ideia passou por minha cabeça quando cheguei ao capítulo quatro e me deparei com um narrador estranho.
"Big Jato" é uma novela baseada na infância de Xico Sá, autor do livro. Apesar de ser uma narração descontraída, ela pode reservar surpresas capazes de confundir a cabeça do leitor, uma vez que há alteração do narrador em alguns capítulos. 
Tal mudança expõe ao interlocutor como se configura a antagônica relação familiar entre seu pai e seu tio, o que gera um conflito pessoal no narrador, menino que se identifica com as duas personagens. De um lado está seu pai, figura do homem provedor, viril e batalhador, de outro encontra-se o seu tio, personagem "poeta", "fresco", vadio e que lhe apresenta um mundo diferente ao qual ele vive dentro da boleia do Big Jato.
Xico Sá consegue nos descrever de maneira lírica, e por muitas vezes engraçada, a descoberta de um mundo por um garoto, é interessantíssimo como que o mundo em transformação acontece em torno do menino, como que a vida dele se altera ou como ele se enxerga nesse mundo. O menino, por vezes, parece não pertencer àquela realidade interiorana e sertaneja onde a coisa mais moderna com a qual eles têm contato é a banda "The Beatles".
O ofício de seu pai marca sua memória, a negação de seus familiares o decepciona, o convívio com pessoas de fora que também desprezam aquele trabalho o torna agressivo e mais parecido com seu pai.
A descoberta do amor e a chegada da adolescência transtorna sua cabeça, o que desencadeia em sua saída de casa, que representa um alívio para sua mãe e revela-nos quem o protagonista se tornará, é um momento de esclarecimentos, principalmente do conflito "pai x tio".

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