quarta-feira, 13 de março de 2013

Ópera do malandro

"Em letreiro de teatro dele, fodido é estrelo e estrelo vai se foder."
"Ópera do Malandro" é uma peça de Chico Buarque de Holanda que se passa durante o final da Era Vargas. As críticas colocadas no texto, no entanto, são destinadas ao tempo atual (1978), uma vez que o país vivia em uma ditadura e críticas como essas não podiam surgir de forma aberta, logo, o "tempo" deve ser visto apenas como cenário.
Percebe-se uma clara intencionalidade política de Chico Buarque, a peça tem traços claríssimos da ideologia de esquerda, na qual o autor era (é) adepto, sendo assim, não podemos enxergar João Alegre como um malandro comum, daqueles que vadiam nos bares e lesam as pessoas. Ele é malandro no sentido de ser esperto e safo, João Alegre assemelha-se ideologicamente, falando de maneira chã, a Robin Hood, configura-se em sua personagem a voz do povo, ele expõe ao público tudo aquilo que estaria "engasgado" na garganta da massa brasileira, de tal maneira, o malandro traz à tona a hipocrisia e a corrupção da sociedade brasileira da época.
A distribuição das músicas ao longo da peça é feita de maneira muito inteligente, as que são colocadas como prólogo não devem ser subestimadas, todas as duas adiantam o que virá pela  frente, a que funciona como  "epílogo do epílogo" também não deve ser lida (ou ouvida) de maneira relapsa.
Ao ler (ou assistir) note que aparecem no correr na peça vários tipos de malandro, essa observação influenciará em seu entendimento final da peça e da música "Malandro nº2", que serve de "epílogo do epílogo" no texto.
A leitura do livro é muito fluída e divertida, uma vez que é um roteiro de teatro e por ser um texto muito bem humorado. Desejo a vocês uma ótima leitura ou um ótimo espetáculo!

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