sábado, 24 de janeiro de 2009

A outra

Eu via aquela, jogava aquela, mas até que conheci outra, mas que felicidade! Larguei aquela e logo me amarrei em outra. Como amo a outra! Ela é tão legal, é diferente, não é igual a aquela, todo mundo ama aquela, eu não, prefiro a outra, adoro, a amo, é muito boa, com ela sinto prazer, me satisfaz, e hoje todo fim de semana me vejo junto à ela, mais ou menos às cinco da tarde, em meu quintal, é uma paixão que veio desde os meus oito anos e até hoje convivemos persistentemente, toda terça e quinta a vejo! Ela me fascina, ela é a minha companheira, quando erro, me machuco com ela, ou então ela vai para longe de mim, mas ela sempre está comigo, quando estamos juntos, é só nós dois, não tem mais ninguém. E vivo sonhando no dia em que eu e ela iremos trabalhar juntos... Quem diria me apaixonar justamente por ela...
A bola de vôlei.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O cesto

Eram dez horas da manhã, de um sábado de inverno, de 1986.

Nesta manhã, passava - se uma jovem toda encapuzada pelas margens da lagoa da Pampulha. A moça se aproximou da lagoa e chorosa, pôs sobre a lagoa um cesto, e saiu correndo chorando.

Passado alguns minutos uma mulher de trajes humildes, pulou no lago e pegou aquele cesto que boiava sobre a lagoa, e depois ninguém mais soube o que havia no cesto.

Passaram se vinte e dois anos e agora naquele mesmo local, uma mulher que aparentava ter uns quarenta anos, se jogou na lagoa, ficou desacordada por algumas horas e quando acordou estava em uma cama de hospital, com uma enfermeira lhe chamando, a enfermeira abriu um sorriso e disse: " Que alívio senhora! Você quase morreu afogada!", a senhora espantada virou - se a enfermeira e meio "grogue" disse: " Alguém me salvou? Isso não era para ter acontecido!", a enfermeira sem entender nada , exclamou: "Que bom que a senhora sobreviveu, você tem que viver muito, a senhora é nova!", a paciente, sem paciência respondeu-a indiferente: "Que seja, obrigada por me salvar!", a enfermeira riu: "Eu te salvar?! Não teria coragem! Quem te salvou foi aquele moço ali ó!", e apontou para um jovem maltrapilho que estava sentado no sofá do quarto, a senhora olhou para a enfermeira e sussurrou: "Aquele mendigo me salvou?", a enfermeira riu balançando a cabeça dizendo que sim, a mulher se interessa pelo acontecido e sussurrou novamente: "Chame-o até aqui por favor.", a enfermeira o chamou, e o moço tímido foi-se aproximando da mulher, ela pegou na mão do jovem e disse: "Muito, muito obrigada!",o jovem meio desconcertado respondeu: "De nada, dona!", a senhora riu e o perguntou: "Aonde você mora?" , o jovem de cabeça baixa, respondeu: "Ah! Dona eu moro debaixo da igreja da Pampulha!", a senhora arregalou os olhos, pensou: "será?", logo o perguntou: " Quantos anos você tem?", o jovem sem dar importância, responde: "Vinte e dois anos, dona.", a senhora pergunta entusiasmada: " Você é filho biológico de sua mãe?", o moço responde rindo: " Não sei não dona, que qui é bilógicu?", a mulher chama a enfermeira e cochicha no seu ouvido: " Faça um teste de DNA meu com o esse menino!", a enfermeira olhou espantada para a mulher, e a mulher ordenou: "Faça!".

Passou uns vinte minutos a enfermeira voltou com o jovem, ele se vira até a senhora e disse: "Dona, o lanche que a senhora mandou me dar, tava gostosão, eu só tive que dar um cadim do meu do meu sangui pra moça!", a senhora riu e disse: "Que bom, hein?!"

O jovem virou-se até a mulher, pegou em sua mão, e lhe disse: "Eu já vou indo, brigadu!" Brigadu memo, pelo lanche!", eu que agradeço, disse - lhe a mulher.

A mulher teve alta no dia seguinte, depois de um mês o DNA saiu, e então ela foi direto até a Pampulha. Chegando na Pampulha, ela foi correndo para falar com o jovem, mas antes que isso acontecesse, alguém disparou nela, e ela caiu dura no chão, e o DNA que estava em sua mão, caiu no chão ao lado de um cesto muito velho, que parecia ter uns vinte e dois anos...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Encenação

O que eu me lembro é que de repente eu abri os olhos e o meu psicanalista estava escancarado ali no chão.
No outro dia os jornais anunciavam, psicanalista é morto por paciente, logo a polícia bateu em minha porta e levou - me à delegacia. Ao chegar lá encaminharam - me até o delegado, ele começou muito educado, me serviu café, logo pensei, deve estar com um sonífero ou algo do gênero, estava parecendo uma cena de suspense de filme estadunidense. Então me perguntou: "Você era paciente dele a quanto tempo?", eu meio confuso respondi:" Ah... uns dois, três meses.", ele nervoso perguntou: "Você era paciente dele a quanto tempo?", eu desta vez firme respondi: "Dois meses!", desta vez ele estalou e os dedos e os policiais apagaram a luz, ele perguntou:"Você era paciente dele a quanto tempo?", eu respondi novamente:"Dois meses!", ele estalou os dedos novamente e um policial tirou a minha cadeira , caí no chão, um outro policial me levantou e deu uma bufada em minha nuca, desta vez o delegado disse apenas: "Quanto?", eu gritei: "DOIS!", o delegado então ordenou: "Acendam a luz, ele está falando a verdade", ele virou-se para mim e perguntou: "Por que você o matou?", eu respondi:" Eu não o matei!", "Pode falar, você está entre amigos, você descobriu aquilo, não foi?"disse - me o delegado, "Eu?! Descobri o que?" perguntei, ele por sua vez disse:"Você descobriu que ele era contrabandista!", eu sem entender nada, resolvi encenar:" Aé! Safado não?!", o delegado disse: "Safado mesmo! Vê se pode?! Hipnotizar as pessoas e tirar os órgãos delas, para contrabando!", fiquei morrendo de medo, "Como você conseguiu?", perguntou - me o delegado, eu me gabando respondi:"Eu?! Ah... tenho técnicas antigas, fingi estar hipnotizado e matei-o.", o delegado riu e disse:"Você parece ser bom...", eu me fiz de sem graça e ele voltou a falar:"Você tem duas alternativas, ou você vira nosso tira ou...", não deixei que ele completasse e comecei a fazer um charme, disse - lhe:"Ah... não sei,acho que não.", então o delegado foi decidido: "Então você está preso por homicídio culposo!", eu me assustei, esperava que ele insistisse, tentei concertar: "Mas eu não o matei!", o delegado como resposta, tirou da gaveta uma fita e colocou para rodar em seu velho VHS, e eu estava lá no vídeo sem som, enforcando o meu psicanalista, eu contestei:"Eu estava hipnotizado! Ele me usou para matá-lo, ele havia me descoberto! Ninguém ia desconfiar de mim no pensamento dele...", mas não adiantou, ele me prendeu por 25 anos.
Hoje aos meus 60 anos, foi provado a minha inocência, pois contrataram leitores labiais e a minha suspeita estava correta e me arrependo de ter encenado!