Assisti ao filme "Argo" (2012), direção de Ben Affleck e roteiro de Chris Terrio, ontem, por isso ando atrasado na discussão sobre a sua intencionalidade política e acerca de sua premiação como melhor filme por Hollywood.
Esperava mais, pois um Oscar de melhor filme, mesmo com todas as críticas direcionadas ao prêmio, ainda é um OSCAR DE MELHOR FILME, por isso fiquei apenas na expectativa.
O fato de ele não ser um filme de espionagem convencional, daqueles estilo "Missão Impossível", não o credencia, ao meu ver, a ser o ganhador de tal honraria e digo isso por dois fortes motivos: a previsibilidade do roteiro em muitos momentos e o velho conhecido american way of life, que se faz muito presente em alguns instantes do longa.
É verdade que o filme tem algumas boas características que devem ser levadas em conta, como por exemplo a quase eterna tensão que sentimos (e aí os parabenizo por ser um filme baseado em fatos reais e de já conhecermos o seu desfecho), a excelente maquiagem dos atores (que ficaram realmente muito parecidos com as personagens "vivas" da história),o filtro usado na película, que nos parece levar ao momento exato do acontecimento ou a falta de legenda nas falas dos iranianos em momentos "críticos" da trama que se mostra muito eficiente em seu objetivo de provocar apreensão no espectador, no entanto, o longa peca em cenas super clichês como a do aperto de mão entre Tony Mendez (Ben Affleck) e Joe Stanfford (Scoot McNairy) no avião ou a perseguição dos "fujões" pelos iranianos no aeroporto.
Incomoda também a figura de bom moço dos EUA, que sempre me deixa com aquela sensação de a todo instante estar sendo enganado, sensação que se intensifica por saber que a produção recebeu o Oscar de melhor filme pelas mãos da Primeira-dama estadunidense e também por ter conhecimento da declaração feita pelo governo iraniano sobre o longa, que declarou tê-lo visto com maus olhos e o interpretou como uma afronta à verdadeira história.
Fatos que me deixa muito inseguro em relação a imparcialidade política do filme e quanto a verossimilhança da representação cinematográfica. O ministro da cultura e orientação islâmica Mohammad Hosseini pronunciou à mídia internacional que os EUA teriam usado o filme contra a sua nação e prometeu a produção de um longa capaz de revelar-nos a "verdadeira" história e com a mesma capacidade comercial da montagem estadunidense. O que me deixa de certa forma muito curioso, uma vez que gosto de sempre estar a par dos dois lados da moeda...

Nenhum comentário:
Postar um comentário