"Capitães da areia" me encucou, "A morte e a morte de Quincas Berro D'água" me divertiu e "Jubiabá" me impressionou.É certo que meu primeiro contato com a obra Amadiana fora muito influenciado por uma opinião mais experiente, a impressão que fiquei não foi boa, e tive alguns desencontros "ideológicos" com Jorge Amado, no entanto, acredito que hoje eu leria "Capitães da areia" com outros olhos, permaneceriam algumas discordâncias, mas minha opinião sobre o livro seria outra.
Ao ler "Jubiabá" me encantei com o terreiro e senti vontade de fazer parte daquela história. Antônio Balduíno (Baldo) me traz muito mais simpatia do que Pedro Bala, e dessa forma, a ideologia comunista chega até a mim de forma mais suave, tão suave que nem mesmo o protagonista se dá conta de ser adepto a tal pensamento, Baldo é "inocente", sustenta argumentos sem embasamentos teóricos, sem Marx ou Engels, Baldo apenas deseja não ser escravo, sua ideologia chama-se liberdade.
Em busca de sua libertação o protagonista de "Jubiabá" traz ao leitor a formação de um povo, as influências culturais africanas, as relações sociais brasileiras, principalmente no tocante às questões étnicas, e o sofrimento de um povo que está cansado, que luta somente por respeito e dignidade; o terreiro, a malandragem e o proletariado emergem de seu isolamento social e clamam por sua alforria.
Baldo revela-se o mensageiro que leva a Jubiabá as soluções para as dores do mundo, é ele quem conta ao pai de santo, e ao leitor, toda a hipocrisia, rejeição e negligência sofrida pelo pobre, é ele quem descobre o significado da luta.
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