segunda-feira, 1 de abril de 2013

"Proibido proibir"

É um filme político. Sem dúvida conseguimos perceber em seu desenvolvimento alguns "discursos" políticos, é interessante que o filme assume suas "bandeiras" sem se tornar chato, cansativo ou coercivo.
O longa tem um roteiro bacana, consegue passar sua mensagem e a nível de cinema brasileiro é bem produzido, porém, a atuação me incomoda, principalmente das personagens secundárias; quanto ao núcleo principal Leon, por exemplo, parece "entrar" em Alexandre Rodrigues apenas do meio para o fim do filme e a aparência de Caio Blat, talvez por causa de "O ano em que meus pais saíram de férias" filmado no mesmo ano (2006), por diversas vezes me confundiu quanto ao que sua personagem representava para a trama, já que ao meu ver, ela não se encaixava ao esteriótipo "barbudinho" que remete a Chê Guevara.
O enredo acontece quase que de forma paralela entre as histórias de Paulo (Caio Blat) e Leon (Alexandre Rodrigues), que acabam se encontrando no triângulo amoroso que se forma. Paulo, mesmo fugindo das ideologias universitárias e da participação civil, acaba se envolvendo em uma causa social, diferentemente do que acontece com Leon, jovem envolvido em um projeto comunitário e adepto de ideologias políticas juvenis. Letícia (Maria Flor), um esteriótipo de uma aluna de arquitetura: "rica e bem intencionada", acaba se tornando o elo entre os dois amigos.
O triângulo amoroso parece perder o sentido de existência por diversas vezes, já que ele se torna um pouco obscurecido pelo drama social que os protagonistas começam a viver.
É interessante como que o título da obra é por diversas vezes explicado por ela mesma, a alusão à música de Caetano foi para mim, a maior "sacada" do longa, uma vez que no clímax do enredo percebemos que as personagens se vêem de mãos atadas, denunciando, assim, a existência da censura na vida de muitos brasileiros, uma censura tão perversa e maligna quanto a vivida noutros tempos no Brasil.
No final, ME parece que o título se estende ao relacionamento das três personagens principais, como se o filme levantasse uma bandeira de "liberdade sexual", já que, AO MEU VER, a história poderia se desenvolver sem que houvesse um laço de amor entre os três e também porque a atmosfera de afeto criada  na cena de encerramento ME desperta tal ideia.


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