segunda-feira, 25 de março de 2013

Welcome to World, Bossa Nova! (Cinquenta anos de "Getz/Gilberto")

Stan Getz, Tom Jobim e João Gilberto.

Era Março de 1963 e João Gilberto, Tom Jobim e Milton Banana ainda permaneciam no frio de Nova Iorque, mesmo com  a saudade do Rio, a vontade de comer feijão e com o "fracasso" do concerto ocorrido cinco meses antes no Carnegie Hall. Eles ainda esperavam seus cachês e alguma novidade da terra do Tio Sam.
A apresentação de Bossa Nova em Novembro do ano anterior tinha contado com inúmeros problemas técnicos e também com a graciosidade do ritmo criado pelo mineiro João Gilberto e tocado com maestria por seus colegas - Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Milton Banana, Sérgio Mendes, entre outros - que fizeram a música sobressair-se e despertar o interesse de muitas personalidades do Jazz.
Desde o bem sucedido lançamento do LP "Jazz Samba" (1962), que de samba só tem o nome, de Stan Getz e Charlie Byrd, Creed Taylor, o produtor, procurava outro sucesso daqueles no mundo do Jazz, motivo pelo qual resolveu procurar por aqueles brasileiros do concerto desafinado.
Devidamente apresentados por intermédio de David Zingg (fotógrafo autor da foto deste post), Jobim e Taylor assinaram um contrato em Janeiro de 1963, o qual previa a produção de um álbum com o saxofonista Stan Getz e com violonista João Gilberto em Março do mesmo ano pela gravadora Verve Records.
Nascia aí o álbum "Getz/Gilberto", que contava com Tom Jobim (no piano e arranjo), Milton Banana (bateria), Tião Neto (contrabaixo) e Astrud Gilberto (vocalista, talvez por acaso). O período de gravação foi curto, apenas dois dias (18 e 19 de Março), no entanto, as dissonâncias entre Getz e Gilberto eram enormes, tamanho GG mesmo!
Discordavam em tudo, Gilberto resmungava com Tom: "Fala para esse gringo que ele é um burro!", o resmungo surgia por causa da força com a qual Getz tocava seu sax, que fugia da leveza da Bossa Nova.  A banda gravava simultaneamente, tornando a insatisfação do brasileiro em um verdadeiro estorvo, já que qualquer erro exigia-se o recomeço. Com muito trabalho Getz "concordou" com João Gilberto e passou a executar o sax de maneira mais suave, o que o não impediu de aproveitar a ausência dos brasileiros na mixagem do disco e aumentar o volume de seu instrumento.
Gravação feita, Creed Taylor, mal sabia que estava redondamente enganado, decidiu não lançar o disco, já que não enxergava em seu horizonte um grande alcance comercial. O grupo se dispersou e durante um ano o LP era ouvido apenas pelo produtor da Verve Records, que foi se simpatizando com as faixas cantadas por Astrud Gilberto.
Em Fevereiro de 1964, Taylor, resolveu desengavetar o disco e lançar em uma rádio de Ohio o single de "The Girl from Ipanema", com a interpretação de Astrud e sem o dueto feito por ela e seu (então) marido João Gilberto na versão original.
Para surpresa de todos, "The Girl from Ipanema" estourou nas rádios dos EUA, permanecendo em quinto lugar na lista da Billboard durante onze semanas e levando o disco à segunda colocação da mesma por noventa e seis semanas! Garantindo ainda, vários Grammy's para João Gilberto, Tom Jobim, Astrud Gilberto e Stan Getz .
E foi assim, de repente, conturbadamente, que o mundo conheceu a Bossa Nova!

Capa do disco.

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