domingo, 14 de março de 2010

Ser nada.

Outro dia parei para pensar em o que eu seria, se eu teria algum destino ou missão como muitos dizem por aí. E então eu concluí que iria ser nada, isso mesmo, eu queria ser nada.
Muitos adultos me perguntavam: "O que vai ser quando crescer?" e eu respondia: "Nada.", muitos ficavam espantados, como minha avó e diziam: "Minha nossa senhora, minino, você tem que ser alguma coisa!", outros ao invés de se espantarem diziam com um ar sarcástico: "Ê malandrinho hein!?" ou "Esse tem o dom de vadiar!", alguns faziam previsões:"Ah! Ele está escondendo ouro, olha cara de menino responsável dele, vai ser uns dos mais dedicados à profissão que escolher!". Até que um dia minha mãe foi à casa de minha tia Maria, então em meio a conversa minha mãe contou - a sobre o que eu andava falando, minha tia é uma pessoa muitíssimo preocupada com a família, só colocava os outros na berlinda (risada), e então ela aconselhou minha mãe a me levar ao psicólogo do colégio, porque ele sabe ver com o olhar científico, não me esqueço dessa fala.
No outro dia minha mãe me levou ao psicólogo da minha escola, ele começou perguntando porque minha mãe havia me trazido, então contei toda a história, ao terminar o homem estava estático, acho que estava pensando no que dizer, e então ele perguntou: "Então quer ser sustentado pelos pais a vida toda como um vagabundo?" e eu:"Não!", "Ah! então quer ser gigolô?!" ele me perguntou novamente e eu respondi:"Não, o que é isso?! Eu aprendi a ser respeitoso!" e então ele fez a pergunta que me fez desabar de meus pensamentos: "Como quer viver?", depois disso eu fiquei mudo o resto da sessão.
Saí de lá ainda pensando, quando cheguei em casa, cheguei com um novo pensamento, com uma conclusão, concluí que até para não ser nada, eu tenho de ser alguma coisa. Virei - me para minha mãe e disse: "Mãe já sei o que eu vou ser, vou ser nada, vou ser político!" e minha mãe deu uma grande risada que parecia estar dando um grande alívio a ela!

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