sábado, 15 de maio de 2010

23

Em meio aos velhos casarões da rua havia uma pequena e insignificante casa. Era feia, tinha a faixada toda descascada e podre, mas ninguém notava, pois a rua de tão estranha a escondia.
Era uma rua central, mas o transito automobilistico era baixo, nem se quer um ônibus passava por ali, os lixos dos casarões não eram recolhidos, mas não entendia muito bem, todos aqueles casarões abandonados ainda produziam lixo! A rua tinha um péssimo cheiro e várias poças de chorume nos buracos do asfalto. Ouvia -se choro de crianças, mas não as via brincar pela rua. E com este abandono a rua e a casa eram esquecidas.
Aquela casa era a mais estranha da rua nem se quer participava da época dos casarões e era a única que se percebia a luz da televisão à noite.
Eu de curioso um dia fui a pesquisar aquilo, espiei pela janela e um velho caquético assistia a um programa da TV Tupi! A televisão nem a cores era! Espantei-me, acabei por fazer barulho, foi quando o velho saiu à janela, quem sem me ver voltou a sua poltrona.
Voltei à casa na manhã seguinte e o velho lia um jornal que datava 13/05/1963! Fiquei a espreita, mas o velho não fazia mais nada, a não ser ler seu velho jornal. A noite caiu e o velho postou-se a sua poltrona e ligou a TV, que passava o mesmo programa do dia anterior.
Resolvi então conversar com o velho, bati a campainha, o velho veio atender a porta. Ele era feio, tinha uma enorme verruga próxima aos olhos, seus dentes eram podres, sua roupa era fétida e não tinha um dos olhos, quando me viu perguntou-me quem eu era, inventei que era assistente social, logo refugiou-se em sua estranha casa e voltou lá de dentro com uma espingarda, que com ela deu-me três tiros no peito, foi quando acordei e dei comigo no chão do meu quarto.

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